Quando falamos em empreendedorismo tecnológico, voltamos sempre a eterna questão do que vem primeiro: o ovo ou a galinha, i.e, o produto básico ou o aporte financeiro para tal.



Numa situação tão imprevisível quanto um start-up de base digital em que tudo está ainda no campo das premissas, das hipóteses e das probabilidades, fica muito difícil mensurar e avaliar as potenciais taxas de risco e/ou sucesso de um empreendimento. Qualquer cálculo sobre valuation é na melhor das hipóteses considerado como um "best gut feeling". 


Por vezes, o empreendedor tem todos os elementos para empreender, i.e., dedicação total, pesquisa prévia de mercado com clientes-alvo, identificação clara de demanda ainda não atendida, garra, confiança no projeto, equipe tecnicamente capaz a ser contratada, todo o business plan e projeções financeiras devidamente feitos. Falta a ele apenas o capital inicial para pagar o desenvolvimento de uma ferramenta beta que prove o seu conceito.


E é aí que entra a velha estória do ovo ou da galinha. O investidor-anjo não quer aportar capital sem um MVP - Minimum Valuable Product. Na medida em que o mercado de tecnologia está aquecido com escassez de mão de obra no mercado, poucas equipes estão aceitando participar do negócio em troca de equity pelo desenvolvimento do MVP/Beta. E o empreendedor necessita desse aporte para bancar uma equipe de primeira linha para apresentar um MVP robusto o suficiente para merecer respeito e atenção logo na primeira demonstração. Se o empreendedor não for um tremendo desenvolvedor, o ovo nunca sai. E assim, o tempo passa e a oportunidade única corre o risco de parar nas mãos da concorrência.  


Na verdade, a questão maior não é ter nem o MVP/Beta ou o capital. O cemitério de start-ups está lotado de fracassos de empresas muito bem apoiadas financeiramente mas sem o menor compromisso com a implementação e/ou rápida adaptação à nova situação de mercado. 

O mesmo é válido para iniciativas corporativas que nunca vingaram apesar da origem famosa. Vejamos alguns exemplos recentes no mundo da Internet: Facebook Lite (tentativa do Facebook em competir com Twitter), BranchOut (tentativa do Facebook em invadir o espaço conquistado pelos usuários do LinkedIN) e Google Wave (iniciativa do Google, para qual até hoje não entendi para o que veio ao mundo). 

Se apenas o aporte de capital que contasse, nenhum empreendimento jamais fracassaria. Nem estaríamos assistindo ao maior colapso de um grupo econômico no Brasil nos tempos modernos.


A verdade, meus senhores e minhas senhoras, é que o que faz de um empreendimento um sucesso é o próprio Fundador da empresa. A história está repleta de exemplos dos Bill Gates (Microsoft), Michael Dell (Dell), Jeff Bezos (Amazon), Mark Zuckerberg (Facebook) e o sempre lendário Steve Jobs (Apple), apenas para citar os mais famosos, em respeito a todos os demais que merecem nossa estima e consideração pelos seus feitos. 


Esse é o ponto principal. Avalie o brilho no olhar do empreendedor principal, o quanto ele já está sofrendo para colocar aquela idéia em prática e o quanto mais ele está disposto a pagar para tal. Observe seus verdadeiros valores e motivações por detrás do empreendimento. Qual é o verdadeiro propósito, escalabilidade, viralidade e geração de receita recurrente do empreendimento uma vez que a fase crítica tenha sido vencida. Se você sentir que ele é o cara e talvez o único cara capaz de implementar aquela excelente idéia, então pode preparar o cheque e começar uma relação de longo prazo com aquele empreendimento.